Os cofundadores da ArborXR, Brad Scoggin e Jordan Williams

Os cofundadores da ArborXR, Brad Scoggin e Jordan Williams

Sentámo-nos à conversa com os cofundadores da ArborXR, Brad Scoggin e Jordan Williams. Na entrevista, aprofundámos a história da dupla desde os tempos da SpringboardVR, as transições e os desafios até chegarem à ArborXR e a visão que têm para o futuro, incluindo as suas opiniões sobre a Meta, o metaverso e muito mais.

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Mark [00:00]

Bem-vindos ao VR Expert Podcast. Sou o vosso anfitrião, Mark Cowles, gestor de marketing na VR Expert. Neste podcast, vamos conversar com inovadores, especialistas e criadores que estão a transformar o mundo da XR.

No episódio de hoje, tenho o prazer de receber Brad Scoggin e Jordan Williams. O Brad e o Jordan são os cofundadores da ArborXR e desempenham as funções de CEO e COO. A Arbor, enquanto empresa, tem como missão ajudar as pessoas a viver vidas com mais significado através do poder da XR; dar-lhes tempo para estarem mais presentes para um trabalho com propósito, relações mais profundas e um mundo melhor.

Então, antes de mais, como perguntamos a todos os convidados, como é que cada um de vocês entrou na realidade virtual e nesta indústria?

Brad [00:44]

Começo eu. Sou o Brad e tenho de dizer que temos mais um cofundador, e quero mencioná-lo para que não se sinta excluído: o Will Stackable. É nosso amigo, claro, nosso companheiro, mas é também o nosso diretor criativo.

Jordan [00:58]

E, se não fosse ele, a resposta a esta primeira pergunta seria muito, muito difícil.

Brad [01:03]

Sim, sim. Bem visto, Jordan. Então, dos três, o Will sempre foi o que gosta de mexer nas coisas. Sabes, ele comprou o primeiro headset quando saíram, há uns 10 anos, ou lá o que foi. E eu estava, na altura, a lançar outro negócio e a angariar dinheiro para essa empresa. E estava de passagem na cidade onde o Will vivia. E ele disse: «Olha, tens de vir cá experimentar este headset de RV.» E eu disse: «Está bem, vou lá ver.»

E pus o headset e fiquei completamente deslumbrado com a tecnologia. Quer dizer, cresci a jogar videojogos, mas tive filhos e tinha-me afastado um pouco disso. E acho que a primeira experiência que fiz foi um simulador de treino contra zombies, que, sabes, não tem uma fidelidade por aí além, mas era simplesmente tão fixe. E a minha cabeça começou a disparar com todas as aplicações. O Will contava histórias sobre benefícios na saúde e na educação. Isto foi há cinco ou seis anos.

E então, para nós, o «porquê» inicial, aquilo que ainda se ouve um pouco na nossa declaração de missão hoje, foi: uau, aqui está esta nova tecnologia que vai ter um impacto enorme no mundo. E se pudéssemos ajudar a moldá-la para o bem? Foi mais ou menos isso que nos lançou inicialmente e, para nós, o ponto de entrada foi... bem, a pergunta era: qual é o ponto de entrada mais rápido e mais fácil? E então abrimos um salão de jogos de RV, e todos os nossos amigos e familiares acharam: «Ok, isso é um bocado pateta.» Mas a ideia era entrar no setor, fazer um bom trabalho e, com sorte, outras coisas surgiriam.

E, a partir daí, percebemos que era preciso software para gerir negócios de entretenimento baseado em localização, e isso evoluiu depois para o que fazemos hoje. E, nesse percurso, vou deixar o Jordan falar. Mas o Jordan juntou-se muito cedo. Precisávamos de alguém com muita capacidade para simplesmente pôr trabalho em dia, e foi por isso que o Jordan entrou logo no início.

Jordan [02:55]

Sinceramente, não tenho muito mais a acrescentar. O Will é a razão pela qual ambos entrámos na RV. É quase a mesma história. Fui lá, experimentei o headset que ele tinha e muito rapidamente juntámos forças para começar o nosso percurso no mundo da XR.

Mark [03:11]

Ok, então vocês chegaram ao ponto em que decidiram apostar em software. Falem-me então da ArborXR: o nome, pensaram nele uma noite e decidiram-no de repente?

Brad [03:23]

Não. Vou só partilhar um pouco mais do percurso, porque acho que é importante para quem somos hoje e para o que fazemos hoje. Quando abrimos o salão de jogos, estávamos muito entusiasmados com a RV. E a ideia toda era: uau, isto é divertido. Isto é empolgante. É caro. Se tivéssemos uma série destes equipamentos, aposto que as pessoas viriam experimentar.

O que não percebemos foi que o hardware, sobretudo naquela altura, não estava concebido para uso comercial. E assim, por pura necessidade, e por estarmos em contacto direto com o problema, percebendo como era difícil implementar XR, fosse de que forma fosse, num contexto empresarial, construímos a primeira versão inicial, ou melhor, a primeiríssima versão da Arbor, que inicialmente se chamava Springboard. E servia só para resolver as dificuldades que sentíamos, na verdade para nos poupar os custos de um funcionário no salão de jogos.

E gerimos o salão de jogos durante alguns meses; abrimos mesmo antes do Natal de 2016. E tive uma ótima época festiva e, quando parei para respirar, percebi: uau, estes salões estão a surgir por todo o lado e todos têm o mesmo problema. E o nosso porquê para estar na RV era querermos ter um impacto positivo. Então a pergunta é: como temos o maior impacto? Bem, com software tem-se um alcance muito maior do que a tentar ter o próprio espaço físico.

E assim, alguns meses depois, mudámos de rumo para o software; foi no início de 2017. E dissemos: ok, vamos apostar tudo no software. E então, nos três anos seguintes, construímos software para entretenimento em RV num contexto comercial, RV baseada em localização. E, durante esse tempo, tornámo-nos líderes mundiais fora da China e do Japão, e aprendemos imenso. Quer dizer, é uma experiência fantástica resolver um problema muito interessante num mercado emergente.

Mas, ao longo do caminho, para nós, os jogos eram divertidos. E acho que são muito importantes, porque acho que muita gente vai pôr, ou já pôs, um headset de RV pela primeira vez num salão de jogos, e de outra forma não teria tido acesso. E gosto de pensar: uau, a pessoa que vai inventar a próxima tecnologia que muda o mundo pôs um headset num salão de jogos de RV algures.

Mas, para nós, o que procurávamos era uma aplicação mais direta e com mais significado da tecnologia. E então, ao longo desse percurso, fizemos várias análises aprofundadas de aplicações na educação e na saúde. Fizemos muitos programas-piloto, e nunca era o momento certo. Era como se estivéssemos a forçar. E uma grande razão era a tecnologia ainda não estar lá: não havia um bom headset autónomo. Não havia muito conteúdo de qualidade.

Mas foi por volta do final de 2019 que fomos contactados, basicamente através do site do nosso salão de jogos, por uma empresa que tinha desenvolvido conteúdo para uma empresa de petróleo e gás. Esta empresa tinha experiência em formação de segurança no setor do petróleo e gás. E tinham passado do presencial para o PC e estavam agora a fazer a transição para a RV. E construíram o conteúdo, venderam o conteúdo e estavam prontos para implementar quando perceberam: oh, não. Basicamente, perceberam o mesmo problema que nós percebemos quando abrimos o nosso salão de jogos: oh, não, não há software para gerir isto. E essa foi a primeira chamada verdadeiramente urgente que recebemos, em que percebemos: ok, talvez seja altura. Talvez seja altura de começarmos mesmo a fazer esta mudança.

E então, no final, a caminho de 2020, tomámos a decisão de vender a divisão de entretenimento, mudar totalmente de rumo e concentrar-nos. Quer dizer, os empreendedores que nos ouvem sabem a importância do foco. Tenho a certeza de que os vossos investidores vos dizem todas as semanas «foco, foco, foco», e nós ouvíamos o mesmo. Mas é difícil. É desafiante, ainda mais num mercado emergente com uma janela de oportunidade indefinida. Queremos focar-nos, mas temos de descobrir onde raio nos devemos focar, certo? E então passámos vários anos a tentar descobrir qual é o foco. Qual é o foco?

E foi como se tudo ficasse claro. Toda a experiência que tínhamos acumulado ao longo dos anos. Agora havia este novo mercado, o empresarial, muito maior, uma oportunidade de impacto muito maior, uma aplicação da tecnologia muito mais direta e com mais significado. E era um risco. Dissemos: ok, vamos vender a divisão de entretenimento e concentrar-nos totalmente no mercado empresarial. E decidimos vender um mês antes de a COVID chegar, coisa que digo sempre, porque sinto que foi uma decisão genuína. Não foi uma decisão motivada pela COVID. Mas tentar vender qualquer coisa de entretenimento baseado em localização durante uma pandemia foi difícil. Pois, foi um ano interessante. Mas conseguimos vendê-la e foi a caminho de 2021 que fizemos o rebranding para Arbor.

E então, agora, basicamente pegámos em quatro anos e meio, cinco anos de experiência, fizemos o rebranding e estamos a construir uma nova stack tecnológica, ou melhor, construímos uma nova stack tecnológica que suporta dispositivos baseados em Android. E estamos focados especificamente no espaço empresarial. E digo isto: usamos o termo «empresarial» de forma muito ampla. Quer dizer, vai basicamente da educação à saúde e à formação. Tudo o que não seja entretenimento, num contexto comercial e autónomo, é o nosso foco hoje.

Mark [08:15]

Quer dizer, isso é bastante incrível. Na verdade, não conhecia essa história. Por isso, é mesmo fixe, e o timing também. Então, fizeram essa mudança de rumo. E, como estavam a dizer, criaram uma stack tecnológica totalmente nova. Quais foram então os desafios na criação disso?

Brad [08:27]

Bem, eu digo uma coisa, Jordan, e depois podes acrescentar. Diria que o que foi mesmo fixe e divertido, e não um desafio, foi que tivemos... foi quase como, e mais uma vez, não quero menosprezar o entretenimento baseado em localização, porque acho que é importante. Mas foi como se tivéssemos tido um ensaio geral. Tínhamos passado tanto tempo a resolver este problema em escala. E esse era um mercado desafiante, porque a clientela eram pessoas como nós, simplesmente entusiasmadas com a RV. Não havia qualquer normalização no mundo do entretenimento em RV baseado em localização. Por isso, toda a gente estava a tentar descobrir modelos de negócio.

E então estávamos a tentar adaptar software em escala a dezenas de negócios. Foi muito desafiante, mas, olhando para trás, foi uma excelente preparação para entrar num mercado mais normalizado. Por isso, a equipa ficou mesmo muito entusiasmada por agora poder concentrar-se num único setor vertical, pegar em toda essa experiência, nos erros, nas coisas que gostariam de ter feito, e começar de novo, sabes, começar do zero, de raiz, e construir com isso em mente. Mas não sei, Jordan, se há desafios de que queiras falar.

Jordan [09:31]

São desafios de que a maioria das pessoas que ouvem este podcast provavelmente tem conhecimento, e que são simplesmente o Meta Quest, o Facebook. Temos de construir o nosso software, de forma geral, normalizado para a maioria dos dispositivos Android. Mas há certas coisas específicas que fazemos dispositivo a dispositivo, e a Meta tem sido a mais difícil de lidar para conseguirmos oferecer o nível de suporte que conseguimos oferecer a estes outros tipos de dispositivos. E ter de corrigir essas coisas em cima do joelho, potencialmente, se a Meta lançar algo e não houver dados de SF, esse tipo de coisas.

Mas, sim, reiteraria muito do que o Brad disse. Tivemos sorte, de certa forma, por termos usado estes primeiros três ou quatro anos para cometer uma série de erros e aprender muitas lições que pudemos aplicar nesta nova oportunidade, que acho que tem corrido muito melhor no geral, tanto na forma como a desenvolvemos do ponto de vista técnico como na forma como liderámos e fizemos crescer a equipa. E em tudo o que isso exige desse lado.

Brad [10:35]

Sim. No percurso de uma startup, cinco anos parecem 20. E, nos primeiros anos, tivemos de passar por algumas rondas de despedimentos porque investimentos caíram, e depois veio a COVID. E isso faz qualquer coisa, amadurece-nos de uma forma que ouvir falar nisso não consegue: passar por essa dor. Quer dizer, quando se é empreendedor, percebe-se que as nossas decisões e os riscos que corremos afetam muitas pessoas.

Mas, quando as coisas não correm bem e se vê de facto, quando deixa de ser hipotético, que as pessoas podem ser prejudicadas, isso amadurece-nos. Torna-nos muito mais ponderados, agora que nos aproximamos de uma nova fase de crescimento.

Diria que outra das enormes vantagens desta vez em relação à primeira... o Jordan falou dos desafios com a Meta. Mas as outras empresas de hardware têm sido ótimas. E, em parte por causa do sucesso, porque as pessoas sabiam quem éramos do LBE, temos conseguido trabalhar muito de perto com a HTC, a Pico e até a HP, e temos tido muito mais acesso ao nível do hardware, coisa que nunca conseguimos antes.

Antes, eram sempre soluções alternativas. E esperar que, sabes, o SteamVR lançasse alguma coisa. E então, fora a Meta, e irrita-me chamar-lhes Meta, vou chamar-lhes Facebook, tem sido muito mais fácil, porque sinto que estamos mais alinhados com as empresas de hardware no espaço empresarial.

Mark [11:55]

Bem, nesse seguimento, gostava só de perguntar: desde que venderam, mesmo antes de a COVID chegar, qual foi o vosso ponto mais alto e qual foi o vosso ponto mais baixo?

Brad [12:05]

Ok. Antes de mais, vou ser muito claro: decidimos iniciar o processo de venda antes da COVID. Só vendemos lá para meio da COVID. Por isso, foi muito doloroso, muito, muito doloroso. Tivemos alguns pontos baixos, pá. A COVID foi um ponto baixo. Quando todo o teu negócio é entretenimento baseado em localização e fica encerrado durante meses.

Estávamos numa situação em que não tínhamos receitas. Tínhamos um negócio muito grande em curso, que, aliás, vai ser público dentro de algumas semanas. Era outra razão pela qual estávamos a mudar para o mercado empresarial, mas esse negócio não estava fechado. Esse negócio não estava fechado. Por isso, ainda não tínhamos nada de concreto no mercado empresarial. Ok, é para aí que queremos ir, é aí que vemos a oportunidade. É aí que está o mercado. Mas, no papel, não tínhamos tração nenhuma.

Estávamos a tentar vender entretenimento baseado em localização sem receitas, e foi difícil, porque isso normalmente nem sequer é financiável. Quer dizer, aprendemos a ser sobreviventes ao longo dos anos. Voltando ao salão de jogos, salões de jogos e software para entretenimento baseado em localização não são propriamente apostas para capital de risco. Houve algumas exceções. Mas, no geral, as pessoas investiam porque pensavam: ok, confiamos em vocês, acreditamos que conseguem transformar isto noutra coisa.

Mas, quando se está numa posição sem um futuro real e sem receitas, tentar angariar dinheiro para sobreviver foi brutal. Olho para trás e nem sei como sobrevivemos. Quer dizer, foi milagroso. E o negócio... acabámos por vender a Springboard à Vertigo Games, Koch Media.

Mas o que aconteceu nos bastidores foi que começámos este processo com a Vertigo lá para a primavera. Ora, não sabíamos que a Vertigo estava em processo de ser adquirida pela Koch Media. Então, pensámos: ok, vendemos a Springboard até agosto, assinamos este outro negócio em julho-agosto e fica tudo pronto. E estávamos numa situação em que, se não conseguíssemos fechar até agosto, morríamos todos.

E, por causa da COVID, o grande negócio arrastou-se, arrastou-se e arrastou-se muito para lá de agosto. E, como a Vertigo foi adquirida, esse negócio arrastou-se, arrastou-se e arrastou-se muito para lá de agosto. Por isso, nenhum dos dois negócios acabou por ser assinado antes do finalzinho do ano.

Quer dizer, imaginem outra vez, empreendedores, imaginem que olham para o vosso fluxo de caixa e veem que a data-limite é agosto, e não há esperança nenhuma para lá de agosto. É tipo: não há maneira de chegar tão longe nem de ficar tão mau. Pois tivemos de sobreviver até dezembro. E o meu ponto mais baixo foi o Dia de Ação de Graças desse ano, tipo: acabou, o que vamos fazer? Desiludi toda a gente, não vamos conseguir. E, nas semanas seguintes, tudo se resolveu. E é isso, sabes. Mas pontos baixos assim, pá, fazem-nos qualquer coisa que nos impede de pensar de outra forma.

Diria, no entanto, que logo a seguir veio um dos nossos pontos mais altos. Quer dizer, conseguir vender a Springboard foi enorme. E a importância de a vender foi ainda maior porque se arrastou, certo? Esse foi um ponto alto. Assinar o grande negócio que assinámos, que vai ser público dentro de algumas semanas, foi um grande ponto alto. E esse negócio, na verdade, quando se andou tanto tempo a lutar nas trincheiras... E acho que muita gente no LBE provavelmente sente isto. É tipo: as pessoas não querem saber de nós.

Tipo, estamos aqui a fazer o bem. Estamos a tentar fazer avançar o mundo da RV, e não há reconhecimento nenhum. É tipo: «Ah, LBE, quem quer saber do LBE?» E por isso, para nós, fechar este negócio que fechámos, mesmo tendo sido nos bastidores durante o último ano e meio ou dois, acho que para a nossa equipa foi um enorme incentivo. Foi um aval: aqui está uma empresa a sério que vos viu executar durante anos, viu o valor que trazem e quer associar-se a vocês para fazer coisas maiores. E acho que para a equipa foi, sim, foi muito importante para nós.

Mark [15:56]

Depois de tudo isso, vocês continuam cá, e isso é impressionante. E agora têm um dos softwares de gestão de dispositivos móveis mais impressionantes. Aprofundando isso, porque as pessoas querem ouvir falar especificamente da ArborXR: porque decidiram então entrar no software de gestão de dispositivos móveis para empresas? E o que pensaram que vos diferenciaria dos restantes?

Brad [16:15]

Bem, acho que foi uma progressão muito natural daquilo que estávamos a fazer. E ainda acho piada, provavelmente mais piada do que os outros, quando penso nisso. Pensamos muito no espaço do problema, obviamente, certo? Queremos estar muito focados no espaço do problema. E, a um nível geral, o espaço do problema no mercado empresarial é exatamente o mesmo que era no entretenimento baseado em localização. É gerir dispositivos, gerir utilizadores e gerir conteúdos.

E por isso foi uma transição muito natural para nós. E, mais uma vez, aqui está uma aplicação com significado. Além disso, tudo o que fazíamos antes era com RV com cabo. Por isso, estamos mesmo entusiasmados. Quer dizer, obviamente, todos sentimos o peso de as coisas se afastarem disso. E ter a oportunidade de fazer uma rutura limpa... acho que a RV com cabo faz muito sentido no LBE, mas na formação e na educação simplesmente não faz, certo, exceto em alguns casos de uso muito específicos.

E por isso foi uma progressão muito natural. E acho que, a um nível geral, quando penso no que nos diferencia, e o Jordan vai falar mais disto e de alguns pormenores... Mas adoro dizer isto: cresci a praticar desporto. Estávamos a falar antes disto, o Jordan acabou de se lesionar a jogar basquetebol, o Mark lesionou-se a jogar basquetebol. E em toda a minha vida a praticar desporto, nunca fui campeão, nunca ganhei um torneio, nada, certo. E todos nós: «Quero ser o melhor, quero ser o melhor.»

E foi divertido, quando nos estávamos a preparar para a Série A, no verão passado, e a pensar em como nos estávamos a posicionar: houve um momento de iluminação em que percebemos que a nossa equipa, e digo a nossa equipa, não eu, a nossa equipa é verdadeiramente a mais experiente, a maior especialista, a melhor a resolver este problema de todas as equipas do planeta. Porque, de certa forma, tropeçámos nisto, mas fazemo-lo há mais tempo, fazemo-lo a uma escala maior e temos estado mais focados nisso do que qualquer outra pessoa.

E acho que essa é uma enorme vantagem diferenciadora para nós: diria, objetivamente, que somos a melhor equipa do planeta a resolver este problema específico. E o que vem de mãos dadas com isso é que estamos focados nesta única coisa, e estamos há muito tempo. Jordan, vou deixar-te falar dos pormenores, mas gosto sempre de começar por uma visão geral.

Jordan [18:33]

Quando olhamos para a indústria, olhamos para empresas como a VMware, a Mobile Iron, o Microsoft Intune: estes MDM tradicionais existem há uma década, uma década e meia, e têm plataformas de software muito boas para suportar tablets e smartphones. E muitas delas suportam outros tipos de dispositivos, como PC e coisas do género. Mas a maioria praticamente não fez esforço nenhum para que esse software de gestão também suporte dispositivos XR.

E, para ser honesto, sabes, até voltando atrás para responder a uma das tuas perguntas anteriores, sobre porque fizemos esta mudança e como pensámos na diferenciação: provavelmente houve alguma ingenuidade. Sinceramente, não sabíamos muito sobre a indústria. Mas calhou que, quando entrámos, especificamente do lado do Android e depois do mercado empresarial, percebemos que estas empresas gigantes não têm qualquer suporte para dispositivos XR, com a exceção, de certa forma, da VMware, mas também aí ainda há muitos problemas.

E algumas das coisas essenciais, quando se compara um MDM tradicional com um MDM feito à medida para dispositivos XR: uma delas é o conteúdo, o tamanho dos ficheiros que é preciso distribuir e implementar, sobretudo em zonas com pouca largura de banda, e a forma como isso é gerido do ponto de vista da implementação.

E depois, provavelmente o mais importante, é tudo o que fazemos dentro do próprio dispositivo de RV ou RA. Há muitas funcionalidades essenciais necessárias para criar uma experiência de utilizador final super simples. Ou seja, quando um funcionário ou outra pessoa põe um headset de RV pela primeira vez, sabe exatamente o que fazer, não se atrapalha. Não se perde aos tropeções pelos menus e coisas do género. Há muito mais por trás disso. Mas, como descobrimos, há definitivamente diferenças muito fundamentais entre a forma como se gerem tablets e smartphones e a forma como se gerem dispositivos XR. E nós aprofundámos muito, obviamente, o lado da XR.

Brad [20:47]

E quero dizer uma coisa a esse respeito. Como o Jordan disse, sabes, entrámos neste espaço com a nossa experiência anterior, muito semelhante. E aprendemos imenso sobre as empresas de MDM tradicionais no último ano, ano e meio. No início... bem, digamos o seguinte: o que se tornou muito, muito claro é que um MDM feito à medida para XR não é um extra simpático, é uma necessidade. E as coisas de que o Jordan está a falar envolvem aspetos técnicos profundos. Mas não é tipo: «Ah, bem, a experiência é um pouco melhor se usar uma solução feita à medida.» É tipo: não. O headset não está seguro. Portanto, isso não é opção. Tem de estar seguro.

E o outro problema, como todos sabemos sobre a RV em geral, é que continua a existir muito atrito, muitas vezes até no melhor dos cenários. E então coisas como a forma como o conteúdo é implementado, o tamanho do conteúdo, se se consegue ter controlo total sobre quando são feitas as atualizações, se é preciso pôr o headset ou se se consegue ver remotamente... Pequenas coisas assim, ok, não é nada de especial.

Claro, não é nada de especial se tiver três headsets, mas ninguém está a fazer implementações com significado com três headsets. E, de repente, esses 10 pequenos pontos de atrito em três headsets não são grande coisa. Com 50, 100, 10 000 headsets, é impossível, certo? E foi isso que aprendemos, e que nos deu muita confiança no nosso produto: uau, isto não é um extra simpático. Se vai fazer qualquer tipo de implementação real, é uma necessidade absoluta.

E outra coisa que digo é que surgiram por aí outros produtos mais pequenos feitos à medida. E acho que uma das principais formas como nos diferenciamos deles é que, graças à experiência com que entrámos neste espaço, conseguimos estabelecer parcerias bastante grandes: a que mencionei, e há outra que também vai ser pública dentro de várias semanas.

E por isso, durante o último ano e meio, mais ou menos, trabalhámos muito de perto com algumas empresas muito grandes. E isso deu-nos exposição a oportunidades e afinou-nos de formas que acho que alguns dos outros produtos feitos à medida que estão a surgir não tiveram; acho que não tiveram o mesmo tipo de experiência.

Mark [22:58]

Sim, muito válido. E, por exemplo, no nosso caso, como revendedores da ArborXR, até para os nossos eventos tínhamos de configurar os headsets um de cada vez. E agora a nossa equipa de operações consegue fazer 150 headsets de uma só vez, o que fez uma enorme diferença para a nossa equipa de eventos e para conseguirmos os melhores eventos possíveis. Por isso, até agora, para nós, tem sido uma experiência incrível.

Têm outros exemplos de empresas que tenham obtido grandes retornos dos investimentos? Claro, disseram que têm alguns grandes negócios a caminho, mas há parceiros atuais em que tenham visto maiores retornos do investimento para eles?

Brad [23:31]

Bem, gosto sempre de falar de uma das nossas implementações maiores, porque não podemos falar dela publicamente, e de percorrer algumas das dificuldades que ajudámos a resolver. E acho que qualquer pessoa que esteja a fazer implementações vai identificar-se, isto vai tocar-lhe de perto. Bem, digo também isto: tem sido engraçado para nós, ou interessante é a palavra mais adequada, ver como as empresas têm resolvido alguns destes problemas. Muitas empresas, muitas pessoas vêm ter connosco e dizem: «Meu Deus, nem sequer tinha pensado nisto. Estive tão focado em criar conteúdo muito bom, o que é importante, ou em decidir que hardware vou usar. E chego ao momento da implementação e é tipo um momento de pânico. Como é que vamos fazer isto?»

Uma empresa ligou-nos depois de ter feito uma grande implementação, uma confusão total. Tinham chamado a Geek Squad da Best Buy e tipo… É simplesmente engraçado. No início falámos com... isto foi provavelmente há uns dois anos. Acho que a BMW, a forma como punha conteúdo nos dispositivos, era colocá-lo numa pen USB e depois enviar a pen pelo correio.

Falámos com uma grande empresa industrial, e a forma como atualizavam os headsets... o rapaz, estávamos numa chamada de Zoom, e ele tinha caixas à volta dele. O trabalho dele era atualizar os headsets, metê-los numa caixa e enviá-los aos funcionários. Quando precisavam de os atualizar outra vez, enviavam o headset de volta. Ou seja, esta é a tecnologia mais futurista que qualquer um de nós já experimentou no local de trabalho, mas algumas das soluções iniciais eram tão arcaicas.

Uma das grandes, uma das maiores implementações com que trabalhamos e de que podemos falar, e é uma implementação muito ampla, é com uma empresa chamada Axon. A Axon inventou o Taser há uns anos e agora faz as câmaras corporais da polícia. E o lema, ou uma das missões da empresa, é tornar a bala obsoleta. E estão a lançar formação para departamentos de polícia por toda a América do Norte, uma formação em desescalada para ajudar os agentes a lidar melhor com as situações. Super fixe, exatamente o tipo de aplicação de que sonhávamos fazer parte quando deixámos o entretenimento.

E o caso de uso deles é estarem a distribuir milhares, dezenas de milhares de dispositivos pelo continente, ou por alguns países. Por isso, precisam de configurar todos esses dispositivos. E, tal como falaste de como fazias antes 150, agora passa isso para 10 000, 20 000 dispositivos: é um desafio enorme. Por isso, conseguimos ajudá-los a configurar rapidamente os dispositivos, a aprovisioná-los.

Depois enviam os dispositivos. Ficam espalhados por departamentos de polícia por todo o país, por alguns países. Ora, agora precisam de garantir que têm visibilidade sobre os dispositivos: onde está o dispositivo? Conseguimos geri-lo? Conseguimos continuar a enviar conteúdo, a atualizar conteúdo?

E depois, outra coisa muito importante neste momento é que a maioria dos dispositivos, e acho que a maioria de nós sabe isto, ao contrário de um telemóvel ou de um tablet, que geralmente têm uma relação de um para um, com um headset é de um para muitos. Ou seja, há vários agentes da polícia a usar o mesmo headset. Por isso, é preciso conseguir registar quem fez a formação, quem não fez, se é o utilizador certo.

E a quantidade de atrito que conseguimos reduzir-lhes em escala... nem sequer seria possível para eles lançar uma implementação destas. Há outra grande implementação que estamos a fazer na educação, com uma empresa chamada Prisms, e aí é semelhante. É o mesmo conceito: não é uma grande empresa da Fortune 100 a dar formação nas suas instalações. Estão a distribuir headsets por escolas de todo o país, certo, portanto exatamente a mesma coisa.

Eles não têm capacidade, e isso nem sequer é a especialidade deles. A Prisms é um ISV fantástico. Querem criar bom conteúdo, são especialistas no que toca à educação. A Axon não quer andar às voltas com a gestão disto tudo. Querem dar melhor formação aos seus clientes, certo? Por isso, acho que tem sido enorme para eliminar parte do atrito, o que é, na verdade, o que torna estas implementações maiores possíveis.

Mark [27:28]

Passando ao ponto em que a Arbor está agora, como vai continuar o desenvolvimento do software? Por exemplo, headsets pré-instalados antes de chegarem, outras coisas em que estejam a trabalhar para que as pessoas possam implementar diretamente da fábrica; como é o futuro do software?

Brad [27:44]

Mark, estás a tentar que contemos todos os nossos segredos. Estou a brincar. Somos muito abertos. No início não éramos, há vários anos. Acho que amadurecemos e percebemos que o secretismo não beneficia ninguém. Mas, Jordan, deixo-te responder a esta.

Jordan [27:58]

Sim. É uma ótima pergunta. Temos um roadmap público, há lá muita coisa. Quer dizer, há coisas essenciais para nós; acho que pensamos nisto em talvez duas ou três categorias. Uma é simplesmente a gestão de dispositivos, a gestão de conteúdos. Ainda temos muito a fazer aí para criar uma experiência incrível. Por exemplo, uma funcionalidade pequena, mas importante para alguns clientes, é poder agendar quando se implementa conteúdo, em vez de acontecer logo que se clica no botão. Há várias pequenas coisas assim, do lado da gestão de dispositivos e conteúdos.

Depois, as outras duas categorias em que pensamos dizem respeito mais especificamente ao headset: o que está a acontecer no headset, quem está no headset? E depois, potencialmente, estamos a pensar, obviamente, na formação, seja fazer registo de eventos ou perceber se o utilizador carregou no botão verde ou no vermelho, e na integração com LMS. Ainda estamos a tentar perceber se e como encaixamos nesse espaço. Estamos só a tentar ajudar outros a facilitar esse tipo de coisas? Uma coisa que sabemos de certeza que vamos fazer é integrar o início de sessão único em RV. Ou seja, poder autenticar antes sequer de os dispositivos poderem ser usados, esse tipo de coisas.

E depois, a última peça em que estamos a pensar, do ponto de vista do desenvolvimento de funcionalidades, é mais: ok, temos muito conteúdo a ser implementado através da Arbor. Muito deste conteúdo não é específico de uma empresa. E alguns dos nossos criadores de conteúdo estão a perguntar: «Olhem, podem partilhar o meu conteúdo com as empresas que usam a vossa plataforma?»

Então, estamos a pensar: ok, haverá forma de facilitarmos esse tipo de interações, em que temos centenas de ISV a desenvolver conteúdo e centenas de empresas a precisar de conteúdo? Haverá forma de facilitar melhor essas ligações entre empresas e criadores de conteúdo? Essas são, mais ou menos, as três categorias essenciais em que estamos a pensar, do ponto de vista das funcionalidades, para o futuro.

Mark [30:03]

E, em termos de... vocês já suportam uma enorme quantidade de headsets de RV. Falaram da Pico, da HTC, da HP. Quais são os planos para alargar a compatibilidade de dispositivos? Já são compatíveis com a Vuzix, por exemplo. Vão continuar a expandir? Há algum que possamos esperar num futuro próximo?

Jordan [30:18]

Sim. Porque, na essência, somos software Android. Por isso, de raiz, se o seu dispositivo usar Android 7.1 ou superior, a maioria das nossas funcionalidades vai funcionar de imediato. Há certas coisas que teremos de fazer especificamente para cada dispositivo, nas funcionalidades dentro do headset que disponibilizamos. Mas a maioria das funcionalidades essenciais funciona de imediato.

Dito isto, o Brad aludiu a um certo grande parceiro que aí vem e que nos vai permitir facilitar ainda mais as coisas com todos os tipos de dispositivos, algo que nos entusiasma imenso e que esperamos partilhar nas próximas semanas. Mas, sim, o nosso objetivo é garantir que temos o mais alto nível de suporte para todos os principais dispositivos XR neste espaço.

Mark [31:05]

Ok. E a vossa principal preocupação, ou o principal dispositivo com que têm dificuldades, é então a Meta. Qual é o vosso roadmap para a Meta e a ArborXR?

Jordan [31:14]

Sim. E sabes

Brad [31:15]

Queria meio que citar sem dizer… Posso citar a, sabes, a frase em que estou a pensar, Jordan, que acabaste de partilhar, sem dizer o nome do cliente? Ok, esperem. Tenho de ler esta citação muito depressa. E isto, talvez algo, deixem-me encontrá-la. Isto é chocante porque a empresa que nos disse isto é uma empresa a sério; seria de esperar que recebessem uma resposta um pouco mais firme. Vamos lá ver. Aqui está.

Jordan [31:41]

De certeza da Fortune 500, talvez da Fortune 100?

Brad [31:43]

Sim, ok. Ok, aqui vai. Ai, isto dá vontade de rir. Ok. Isto foi o que nos disseram, esta é a citação deles: «Quando falei com um representante de vendas da Meta, pediu desculpa e disse que teriam algo lá para 2024», o que foi uma resposta absurda. Portanto, sim, esse continua a ser o ponto em que estão no que toca ao mercado empresarial. É estranho, Mark, parte de nós sente que, ok, as empresas não confiam neles, e acho que com razão.

Tipo, como se confia numa empresa que monetiza tudo, sabes, com publicidade e dados? Têm um headset genuinamente ótimo, o melhor headset pelo preço, sabes, sem dúvida. Têm todos os recursos, é de crer que vão continuar a desenvolvê-lo. Mas parece que tudo caminha para um ecossistema totalmente fechado. Conseguem fazer tudo? Têm os recursos, mas conseguem mesmo apostar com excelência tanto no mercado de consumo como no comercial?

Por isso, há muitos pontos de interrogação. E depois recebemos respostas como aquela, que são tipo: bem, nem sequer vamos dar muita atenção ao mercado empresarial durante alguns anos, certo. Por isso, para nós, sentimos que continuam a não ajudar muito diretamente. Talvez estejam um pouco mais abertos com a descontinuação do OFB. Mas nós continuamos a avançar e vamos fazer com que funcione. E a nossa esperança é... não acho que seja sequer possível, por causa de quem eles são. Mas, se conseguirmos continuar a juntar intervenientes legítimos suficientes para, juntos, formarmos uma espécie de coligação que diga: parem de fazer estas coisas, ou deixem-nos fazer isto, porque vai beneficiar-vos, sabes.

Mas, sim, são os únicos com quem tivemos problemas. Todos os outros têm sido ótimos, e acho que é isso que é mesmo fixe no mercado empresarial em comparação com o LBE: como disse há pouco, o alinhamento com as empresas de hardware. E todos vemos o benefício para todos, e a vontade de trabalhar em conjunto e fazer isto avançar. O que, sabes, quer dizer, eu percebo, é negócio: se tens uma oportunidade de ir lá e ganhar, é difícil não a aproveitar, o que, sabes, é o caso da Meta. Mas todos os outros têm sido mesmo, pois, tipo: se isto faz avançar a indústria, vamos a isso, o que tem sido muito bom.

E esperamos que isso continue daqui para a frente com os headsets adicionais. Quer dizer, estão sempre a surgir tantos headsets, sobretudo do lado da RA. E, para nós, voltando à tua pergunta sobre o roadmap e as funcionalidades, quer dizer, acho que isto provavelmente nem é preciso dizer, mas mantemo-nos muito próximos do cliente. E, mais uma vez, isso vem dos nossos tempos de LBE, um pouco por necessidade. Acho que nem sabíamos o quão valioso era fazê-lo. Fazíamo-lo porque não sabíamos o que mais fazer.

E o mesmo acontece hoje quando pensamos: ok, quais são as próximas funcionalidades? Como as priorizamos? O Jordan e várias outras pessoas da equipa passam o dia inteiro ao telefone com clientes a tentar, sabes, perceber quais são as dificuldades. Como fazemos evoluir o produto? Mas o mesmo se aplica aos dispositivos que suportamos, e é bom conseguirmos suportar a maioria de raiz, mas estamos prontos para aprofundar com os headsets e as integrações conforme fizer sentido para os clientes.

Mark [34:42]

Ok. Então, olhando cinco anos à frente, pelo que é que se orgulhariam de ser chamados ou conhecidos?

Brad [34:50]

Ok, algumas coisas. Uma coisa em que ainda não tocámos, só para ficar mais um pouco no tema da Meta. Acho que entrámos neste espaço com uma visão idealista e muito indefinida de fazer o bem. E, se quiserem ter uma ótima conversa com a vossa equipa quando estiverem a trabalhar nos valores fundamentais, devem falar sobre definir o que é o bem. Isso foi engraçado.

Por isso, para nós, ao longo dos anos, o impacto positivo, acho que é melhor dizer assim, que podemos ter evoluiu. E há certas coisas que podemos fazer no espaço do entretenimento. E agora, quando olhamos para o mercado empresarial, sabes, há algumas coisas práticas que acho mesmo valiosas. Adorava que as pessoas olhassem para trás e dissessem: uau, a Arbor teve um papel fundamental na adoção da XR nas empresas. Graças ao foco neste único problema e à capacidade de eliminar atrito, à disponibilidade para trabalhar com as empresas e não ser gananciosa. Seria um ótimo legado sentirmos que tivemos um papel em ajudar a fazer avançar esta indústria.

Mas o outro lado, outra posição talvez mais filosófica que estamos a tomar, e disseste-o na abertura: acreditamos mesmo que a distração é uma das coisas mais prejudiciais que o mundo enfrenta hoje. Acho que todos podemos olhar para trás daqui a 20 anos e dizer: uau, até onde poderíamos ter evoluído enquanto sociedade se não estivéssemos tão distraídos? E estamos tão... quer dizer, tudo gira à volta da distração. E por isso, para nós, o metaverso é como a distração com esteroides.

E então, sabes, talvez seja demasiado forte dizer que somos contra o metaverso, mas acho que aquilo que defendemos é que a RV, a RA, a XR são uma ferramenta, não uma forma de fuga. Não são mais um modo de distração. São uma ferramenta que deve, na verdade, tornar o nosso trabalho, a nossa formação, a nossa aprendizagem e as nossas viagens mais eficientes, para recuperarmos tempo para passar em relações reais e com significado. Porque é disso que se trata a vida, certo?

E se pudermos ter algum papel nisso... Quer dizer, isto tem sido interessante, Mark, mesmo nas últimas duas semanas; estava a dizer à equipa ontem que, nas últimas duas semanas, várias pessoas me perguntaram, e provavelmente também te perguntam amigos que talvez não liguem muito à RV: «E o metaverso? E o metaverso?» E sempre que dou aquela resposta, tipo: «Ah, na verdade não somos grandes fãs. Achamos que provavelmente não vai ser muito saudável para a humanidade», há quase um suspiro de alívio, tipo: «Ok, eu também estava a pensar nisso, mas não sabia se podia ter essa posição.»

Por isso, acho que há muito valor em empresas como a nossa, que estão em ascensão, e sobretudo em empresas maiores que simplesmente tomam uma posição firme. Devíamos pelo menos perguntar se é mesmo para aí que queremos que a humanidade vá: para um mundo digital, ainda mais do que já estamos. Acho que essas são provavelmente duas das grandes coisas. Sabes, a dada altura, entrar em bolsa ou uma boa saída seria simpático. Mas acho que o mais importante seriam as duas primeiras.

Mark [37:53]

Gosto muito disso. E, sinceramente, pessoal, gostei mesmo muito deste tempo. Antes de vos deixar ir, onde é que os nossos ouvintes vos podem encontrar online, e à Arbor?

Jordan [38:05]

O LinkedIn é o principal para mim e para o Brad; nenhum de nós participa muito no Twitter ou em coisas do género do Facebook. Mas o LinkedIn é sólido para mim. E depois, claro, no ArborXR.com também nos podem contactar e encontrar.

Mark [38:21]

Obrigado a ambos pelo vosso tempo. Espero que todos tenham gostado do episódio. Se tiverem comentários ou alguma ideia, não hesitem em contactá-los. Os perfis de LinkedIn deles vão estar na descrição. E, da nossa parte, por hoje é tudo: até à próxima.

João Noronha

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João Noronha